Hoje em dia é muito difícil usar redes sociais sem, em algum momento, acabar se comparando com outras pessoas. A gente abre o Instagram, o TikTok ou qualquer outra plataforma e começa a ver resultados, conquistas, números crescendo, projetos dando certo. E sem perceber, surge aquela sensação de que todo mundo está avançando mais rápido do que a gente…
Esse tipo de comparação é mais comum do que parece. A psicologia chama isso de comparação social, que acontece quando avaliamos nossa própria vida com base na vida das outras pessoas. Nas redes sociais, esse comportamento tende a aumentar porque estamos expostos o tempo todo às conquistas e aos melhores momentos dos outros. Mas existe um detalhe importante nisso tudo: nas redes sociais, quase sempre vemos apenas o resultado final. Vemos o projeto que deu certo, o número de seguidores que cresceu, o lançamento que funcionou. O que quase nunca aparece são os erros, as tentativas que não deram certo, os dias de dúvida ou os momentos em que aquela pessoa também pensou em desistir. Por isso, muitas vezes estamos comparando o nosso bastidor com o palco de outra pessoa.
Existe uma metáfora muito conhecida que diz que a grama do vizinho sempre parece mais verde. Só que quando olhamos de fora, não vemos o trabalho que existe por trás daquela grama bonita. Não vemos quantas vezes ela foi regada, podada ou cuidada todos os dias. Nas redes sociais acontece a mesma coisa. A gente olha para o resultado de alguém e esquece que talvez aquela pessoa esteja construindo aquilo há anos. Não vemos o tempo investido, os erros no caminho, as estratégias que precisaram ser ajustadas. E quando ignoramos esse processo, a comparação acaba se tornando injusta.
Um estudo publicado na revista JMIR Mental Health mostrou que a comparação frequente nas redes sociais pode estar associada a sentimentos de baixa autoestima e insatisfação pessoal. Isso acontece especialmente quando nos comparamos com pessoas que parecem estar em uma posição melhor que a nossa. Mas a comparação não precisa ser sempre algo negativo. Ela pode se transformar em algo positivo quando mudamos a forma como olhamos para outras pessoas. Em vez de pensar “eu nunca vou chegar lá”, podemos começar a pensar “o que posso aprender com essa pessoa?”. A diferença entre comparação e inspiração está exatamente nesse ponto.
A comparação faz a gente sentir que nunca é suficiente.
A inspiração mostra que existem caminhos possíveis.
Seguir pessoas que compartilham conhecimento, experiências e aprendizados pode ser muito positivo quando conseguimos olhar para aquilo como referência, e não como uma medida do nosso próprio valor. Também é importante lembrar que cada pessoa está vivendo um momento diferente da própria jornada. Algumas começaram antes, outras tiveram mais recursos, algumas tiveram mais tempo para se dedicar, outras estão construindo tudo aos poucos. Quando entendemos isso, fica mais fácil respeitar nosso próprio ritmo.
No final, talvez a pergunta mais importante não seja se estamos no mesmo lugar que outra pessoa, mas sim se estamos avançando em relação a nós mesmos. Se estamos aprendendo, testando, ajustando e continuando, mesmo que devagar. As redes sociais podem continuar sendo um espaço de inspiração, desde que a gente não transforme a vida em uma competição constante. Porque, no fim das contas, a única jornada que realmente importa é a nossa.
No final, a comparação sempre vai existir em algum momento. A diferença está em como escolhemos lidar com ela. Em vez de transformar a jornada dos outros em uma medida do nosso valor, podemos usar essas referências como inspiração para continuar construindo o nosso próprio caminho.
E você, já se pegou se comparando nas redes sociais em algum momento? Compartilhe sua experiência nos comentários. Vamos conversar sobre isso.
Referência
Andrade, F. C. et al. Intervenções sobre comparações sociais nas redes sociais: estudo piloto com diário eletrônico diário. JMIR Mental Health, 2023.
Beijinhos, até o próximo post. ✨
