Existe um momento curioso no caminho de quem está construindo algo próprio: quando as coisas começam a andar ou até mesmo quando a gente apenas decide tentar, surge uma sensação estranha de não pertencer àquele lugar. É como se, por dentro, uma voz dissesse: “Será que eu realmente sei o que estou fazendo?” Ou pior: “Uma hora vão perceber que eu não sou tudo isso.” Esse sentimento tem nome: síndrome da impostora.
E ao contrário do que muitas pessoas pensam, ela não aparece apenas quando alguém já chegou muito longe. Muitas vezes, ela surge justamente no começo, quando estamos aprendendo, experimentando e nos expondo pela primeira vez.
No empreendedorismo, isso é ainda mais comum. Afinal, quase ninguém começa sabendo exatamente o que está fazendo. A maioria de nós está aprendendo no caminho, testando ideias, errando, ajustando e tentando de novo. Mesmo assim, a sensação de que não somos boas o suficiente pode aparecer. Às vezes ela vem da comparação com outras pessoas nas redes sociais. Outras vezes nasce de uma história antiga, de ambientes onde faltou incentivo ou onde nossas ideias não foram levadas tão a sério. E, em muitos casos, ela surge simplesmente do medo de crescer e não saber lidar com o que vem depois.
Esse é um ponto que eu mesma já percebi em mim.
Em alguns momentos, quando algo começa a dar certo ou quando surge uma nova oportunidade, eu sinto um certo medo de não saber como lidar com o próximo passo. Como se crescer trouxesse uma responsabilidade maior do que eu imagino conseguir sustentar. E é justamente aí que a síndrome da impostora aparece: fazendo a gente duvidar da própria capacidade. Mas existe algo importante sobre isso que muitas pessoas não percebem: sentir essa dúvida não significa que você não é capaz. Na verdade, muitas vezes significa exatamente o contrário.
Um estudo clássico sobre o tema foi desenvolvido pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, que identificaram esse padrão em mulheres bem-sucedidas que, mesmo tendo resultados concretos, acreditavam que suas conquistas eram fruto de sorte ou acaso e não de competência real. Ou seja, mesmo pessoas extremamente capazes podem sentir que não são boas o suficiente.
Isso mostra que a síndrome da impostora não está necessariamente ligada ao nível de habilidade de alguém, mas à forma como essa pessoa percebe o próprio valor. No mundo atual, onde estamos constantemente expostas ao sucesso dos outros nas redes sociais, essa sensação pode se intensificar ainda mais. Vemos resultados prontos, histórias aparentemente perfeitas e trajetórias que parecem muito mais rápidas do que as nossas. Mas quase nunca vemos os bastidores. Não vemos as dúvidas, os erros, os recomeços e os dias em que aquela pessoa também pensou em desistir.
Talvez por isso seja tão importante lembrar que crescimento não significa ausência de medo. Na verdade, muitas vezes crescer significa continuar mesmo com ele. A síndrome da impostora pode aparecer quando estamos evoluindo, tentando algo novo ou simplesmente nos colocando em lugares onde nunca estivemos antes. E, de certa forma, isso também pode ser um sinal de movimento. Talvez a questão não seja eliminar completamente essa sensação, mas aprender a seguir em frente apesar dela.
Porque, no final das contas, ninguém começa se sentindo totalmente pronto.
Quase todo mundo está apenas tentando e descobrindo o caminho enquanto caminha.
Para refletir
Você já sentiu que não era boa o suficiente, mesmo estando se esforçando e evoluindo?
A síndrome da impostora já apareceu em algum momento da sua jornada?
Se quiser compartilhar sua experiência, deixa um comentário.
Pode ser que outras pessoas também se identifiquem com a sua história.
Referência
CLANCE, Pauline R.; IMES, Suzanne A. O fenômeno da impostora em mulheres de alto desempenho: dinâmica e intervenção terapêutica. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 1978
Beijinhos, até o próximo post. ✨
